Não deixe o medo te paralisar

Medo é bom até certo ponto. O medo funciona como proteção, impedindo que a gente se coloque em situações de risco. O medo de se queimar faz com que a gente não coloque a mão no fogo. O medo de se afogar faz a gente não entrar muito no mar. O medo de ser assaltado faz a gente evitar sair de casa à noite e por aí vai…

O medo em demasia, porém, ao invés de medida de proteção, é destrutivo. Ao invés de fazer com que a gente aja com cautela, ele paralisa. E aí a gente não faz mais nada… Medo em excesso gera ansiedade. Ao invés de simplesmente agir, pensamos em tudo que pode acontecer de errado. Já pensou estar andando na rua, tropeçar, bater a cabeça e morrer? Aí já não é nem mais ansiedade, né, é paranoia mesmo.

Sim, existe a possibilidade de estar andando na rua, tropeçar, bater a cabeça e morrer, por mais trágico que pareça. Mas não precisa ser nenhum gênio pra saber que a chance disso acontecer é mínima. Tão insignificante que ninguém em sã consciência deixa de andar na rua por causa disso.

E se o risco for maior? Um ginasta, por exemplo, num salto ou manobra que não seja bem executada, tem uma chance muito maior de bater a cabeça e eventualmente até morrer.  Sim, existem casos de ginastas que se acidentaram, alguns até de forma fatal. E, ainda assim, a prática continua e muitos ginastas estão por aí superando seus limites e conquistando medalhas.

Não deixe o medo virar uma camisa de força!

O ganho é proporcional ao risco. Já ouviu falar nisso? Com certeza quem aposta na bolsa de valores já. E faz todo sentido, afinal, se você está correndo um risco maior, nada mais natural que a recompensa seja proporcionalmente mais vantajosa. Isso vale na bolsa e na vida também.

A questão não é simplesmente sair se arriscando por aí sem pensar nas consequências porque elas existem. E sim aprender a mensurar esses riscos de forma adequada. O peso do medo não pode ser maior do que todas as possibilidades de dar certo ou até de não dar em nada juntas, senão paralisa.

Superar nossos medos é essencial para evoluirmos. Pode ser o medo de falar em público, de saltar de paraquedas, de se declarar à pessoa amada ou abrir o próprio negócio. Pode dar certo, pode não dar em nada e pode dar errado. Independente do resultado, porém, o saldo sempre é positivo. A atitude de enfrentar o medo, por si só, é capaz de gerar transformações internas incríveis, mas só há um jeito de saber. E não é fazendo nada.

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Aplicativos de paquera podem ajudar, mas não substituem o olho no olho.

Cuidado para não tinderizar a vida e perder as borboletas no estômago

Os aplicativos de relacionamento vieram pra ficar. Numa realidade em que estamos cada vez mais conectados com o mundo através da tela do computador ou celular e menos antenados com o que acontece à nossa volta, chega a ser natural também apelar para a tecnologia na hora de se relacionar.

Este novo modelo ainda parece apresentar uma série de outras vantagens. A primeira delas, a economia do tempo, essa preciosidade que é mais valorizada a cada dia. Afinal, você pode ‘conhecer’ e falar com diversas pessoas ao mesmo tempo dos mais diferentes lugares sem nem precisar sair de casa. Otimização maior que essa não há.

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Estar com várias pessoas e ninguém ao mesmo tempo…

Tem a questão do descarte facilitado também: nada de ligações prolongadas ou conversas recheadas de choro, drama e desgaste emocional, afinal, já bastam todos os outros problemas… Não quer mais? É só não responder mais as mensagens ou, em casos extremos, deletar ou bloquear o contatinho.

Ah! Outra grande vantagem são os filtros: dá pra escolher por idade, cor de cabelo, olhos, altura, gostos, onde mora e até preferências alimentares e musicais… Incrível! Parece o cupido perfeito. É, parece… E até pode mesmo vir a ser em alguns casos, mas não é o que geralmente acontece.

Somos seres humanos, com sentimentos e emoções. Isso, até hoje, mesmo após muitas tentativas, máquina nenhuma conseguiu reproduzir. E é justamente o sentimento que faz o relacionamento ser, de fato, verdadeiro. O sentimento não escolhe cor de pele, cabelo, profissão ou localização geográfica. Ele simplesmente acontece. O algoritmo do amor parece ser ainda mais complexo que o das redes sociais.

Por sua vez, o aplicativo de paquera é incapaz de reproduzir o brilho do olho da pessoa que aparece na foto, o cheiro, o jeito que fala e gesticula. Quer uma companhia para uma noite? Ok, vá lá… Abra o cardápio e escolha sua preferência. Mass lembre-se que, para sentir friozinho na barriga e ver passarinho verde, não dá para estar com os olhos vidrados na tela do celular. É preciso olhar para os lados, ou melhor: no olho do outro. Ufa! Ainda somos humanos.

Amar é… Não precisar, mas querer estar com a pessoa amada

Sempre fui contra a ideia da ‘tampa da panela’ ou ‘a outra metade da laranja’. Para mim, num relacionamento, são duas laranjas inteiras que, juntas, fazem um suco maravilhoso! Se não for assim, pode ser carência, dependência, solidão ou qualquer outra coisa, menos amor.

Por que será que insistem tanto na ideia de que precisamos de alguém que nos complete? Afinal, não somos seres perfeitos criados à imagem de Deus? Desta forma, como poderíamos ser incompletos? Até porque, com exceção dos irmãos gêmeos, nascemos sozinhos né? E sozinhos também vivemos todas as experiências que fazem de nós seres únicos. E completos na sua essência.

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Relacionamento bom é aquele em que duas laranjas inteiras fazem juntas um suco maravilhoso!

Por que insistir nessa ideia de que, num relacionamento, a outra pessoa vai nos completar?

Talvez já tenha sido assim… Antigamente, por exemplo, quando as mulheres não podiam trabalhar, dependiam financeiramente do marido para sobreviver. Os homens, por sua vez, mal sabiam fritar um ovo (ok, alguns muitos até hoje não sabem) e dependiam das mulheres para ter comida em casa e as tarefas domésticas concluídas.

As coisas mudaram – graças a Deus! Hoje as mulheres não precisam mais que um homem pague suas contas e os homens, por sua vez, já estão se virando melhor na cozinha (em último caso, tem o micro-ondas). Acontece também o contrário: mulheres muito bem sucedidas financeiramente e homens optando por cuidar das tarefas domésticas. Claro, estou falando em estereótipos, mas chamo atenção aqui para o fato de que a questão ‘sobrevivência’ não é mais um fator determinante para se relacionar.

Ok, tem a tal da carência e solidão também, que vem crescendo cada vez mais com os avanços tecnológicos. Quem aguenta ‘falar com máquinas’ o tempo todo? Somos seres sociáveis e precisamos sim da companhia de outras pessoas. Eis que os aplicativos de relacionamento surgiram para resolver com apenas um clique este problema – ainda que de forma momentânea.

Tem pessoas que se relacionam por status ou porque decidem que chegou o momento de construir uma família. Em ambos os casos, o outro entra para suprir uma carência ou necessidade. E talvez aqui a teoria da ‘metade da laranja’ ainda se encaixe bem. Pode virar amor? Pode. Mas está mais para transação comercial.

Acredito que o amor seja mais que isso. É saber que não precisamos da outra pessoa, mas queremos estar com ela. É se sentir bem sozinho, mas melhor com a outra pessoa. Tipo feijão com arroz, sabe? Duas coisas distintas, que podem muito bem funcionar sozinhas ou com outros acompanhamentos, mas que, juntas, são imbatíveis.

Quase uma terapia de grupo…

Estávamos em quatro amigas, fazia sol e o frio dava uma trégua para o sol brilhar. Decidimos dar uma caminhada no parque para aproveitar o dia. Após garantirmos a primeira foto do grupo, não demorou muito para entrarmos no assunto que dominaria o resto do passeio: relacionamentos. Você deve estar pensando: nossa, quanta surpresa! É, pois é, nenhuma… Mas se pensarmos que cada pessoa é diferente e cada novo relacionamento envolve uma pessoa diferente num momento diferente, dá pra ver que trata-se de um tema inesgotável…

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A foto do grupo, tentando mostrar a aguinha lá atrás.

Vou contar aqui os dramas de cada uma sem entrar em muitos detalhes, lógico. Talvez você se identifique com alguma das situações abaixo:

Caso 1: A menina está saindo com o cara há alguns meses. Como boa observadora que é, percebeu que faltam as ‘pequenas atitudes’, os ‘detalhes’, como ela chamou. E parece que nem precisou de lupa pra ver isso. Exemplo:  O crush a chamou para sair e eis que chega um amigo do dito cujo e se junta o casal. A menina diz que está com sede e adivinha quem prontamente se oferece para pegar uma bebida? Acertou quem pensou no amigo furão, que mostra possuir a habilidade de prestar atenção aos detalhes, diferente do crush, que, a essa altura, já está prestes a virar ex.

Caso 2: A menina está namorando há nove meses, tempo suficiente para gerar uma criança, mas não ainda para estabelecer um elo de confiança sólido, ao menos não neste caso. Em apenas uma noite longe do amado, perdeu as contas do número de mensagens e ligações do amorzinho, que parece não entender que, se ela quiser fazer alguma coisa que não deve, vai fazer isso independente de onde estiver, pois não se trata de uma questão de geolocalização.

Caso 3: Bastante semelhante ao caso anterior, só que aqui eles ainda não estão namorando. O rapaz dessa história mais parece um personal stylist e não consegue deixar de dar pitaco na roupa da moça. Ao que tudo indica, é fã dos clássicos, cortes retos e longos. Ah! Ele também tem vocação para ‘gps’: fica todo o tempo tentando achar a localização exata da moça. Quer pedi-la em namoro, mas parece que ela gosta mesmo é do waze, que mostra o caminho para onde ela quer chegar.

Caso 4: Típico rolo: a coisa parece evoluir e depois para. Volta. Evolui. E no fim não se sabe mais se o relacionamento está evoluindo ou se é uma dessas paradas de parque temático, que ficam andando em círculos e não levam a lugar algum. Parece que o menino tem o incrível poder de desaparecer e reaparecer das formas mais espetaculares. Agora, quem está planejando sair de cena, é ela.

Muito se fala em sororidade hoje em dia e não há momento em que este sentimento aflore com tanta genuinidade quanto esse. As histórias são diferentes, assim como as pessoas envolvidas, mas sempre tem alguma coisa que gera identificação com as ‘sisters’. Todos os relacionamentos têm problemas e, se às vezes é difícil encontrar uma solução, é reconfortante saber que não estamos sozinhas. Salve sororidade!

(IN)congruências nossas de cada dia

Recentemente entrevistei uma renomada coach sobre a descrença política que atinge grande parte dos brasileiros. Ela falou sobre a falta de congruência de muitos políticos e que isso abala diretamente sua credibilidade. Mas o que seria essa tal congruência? Segundo ela, o pensar, falar e agir devem estar alinhados, isso é ser congruente. E qualquer coisa que fuja a esta lógica é capaz de abalar essa credibilidade.

Eu acrescentaria ainda o sentir, pois acho que tem certas coisas que a gente simplesmente sente, sem refletir muito sobre o assunto. Acho que grande parte dos problemas começa justamente aí. Tem muita coisa que a gente sente e, quando começa a pensar muito sobre o assunto, chega à conclusão de que aquilo que sentimos não é certo ou é diferente do que imaginamos de como deveria ser. E assim começamos a ser incongruentes com nós mesmos.

Esse tipo de situação pode não gerar um atrito com as outras pessoas, que talvez nem percebam essa batalha interior, mas certamente traz consequências avassaladoras para nós mesmos, principalmente se essas incongruências se tornam constantes. Quem aguenta ficar o tempo todo engolindo sapo? Será que foi daí que veio a expressão? Bem possível, afinal, quando isso acontece, a sensação é de estar com a garganta entalada mesmo…

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Campanha ‘Chega de engolir sapo’ da Fiesp

O que me pergunto é: se não faz bem abafar os nossos sentimentos, por que então fazemos tanto isso? Será que estamos tão preocupados em seguirmos normas e condutas sociais que esquecemos de seguir aquela que é a mais importante de todas as regras? A nossa essência??? E quais as consequências disso?

Assim como a Lurdinha Machado (a coach sensacional que mencionei acima), acredito que a congruência é fundamental para a credibilidade. Mais ainda: acho que é essencial para a paz de espírito. Afinal, não dá pra se sentir bem com a garganta engasgada, né?