A vida nos dá o que a gente precisa, não o que a gente quer

Quem me disse isso foi a Clarissa, minha colega na TV. O assunto começou nas nossas mães, dizíamos que elas fazem coisas diferentes das que a gente gostaria que elas fizessem. Aí a Clarissa me disse: “as mães sabem do que os filhos precisam”. Daí pra constatação filosófica do título foi um pulo! Rsrs..
Fiquei pensando nisso.. Será??? Estamos sempre querendo alguma coisa. Coisas acontecem com a gente o tempo todo. E nem sempre o que acontece com a gente é o que a gente quer. Como lidamos com isso em geral? Ficamos tristes, desapontados, pensando naquilo que gostaríamos de ter… E muitas vezes não valorizamos as coisas que temos, por menores que sejam ou pareçam ser.
E se fizéssemos diferente? Coisas novas, como o próprio nome diz, são novas! Diferente daquilo que temos. Pode não ser o que gostaríamos ou imaginávamos. Mas talvez seja exatamente o que precisamos naquele momento.

Esse tal de zouk

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por dança. Fiz 15 anos de ballet clássico, experimentei sapateado, flamenco, ballet contemporâneo e até uma aula de dança do ventre já frequentei. O tempo passou, vieram as obrigações da ‘vida adulta’ e ficou difícil seguir a rotina puxada do ballet clássico.
A paixão pela dança, no entanto, continuou. Sair para dançar na balada com as amigas não era suficiente e passei a buscar outras modalidades. Nesta busca, fui apresentada ao mundo da dança de salão. Aprendi o básico de bolero, samba de gafieira e salsa. Mas o que tocava minha alma a ponto de querer me entregar completamente ao ouvir a primeira batida da música era um ritmo que ainda nem conhecia: esse tal de ‘zouk’.
Das modalidades  da dança de salão, foi o último que tive contato. Já tinha visto meus professores dançando, achava lindo! E tão difícil… Acostumada com o rigor do ballet, não conseguia entender os movimentos fluidos e livres do zouk. E assim ficou durante um bom tempo, até que não aguentei ficar só na paixão  platônica e decidi começar a fazer aulas de zouk.
Como tudo que é novo, no começo foi bem difícil. Como bailarina, sempre subi no palco sabendo exatamente a coreografia que iria fazer. A dança de salão, no entanto, é o oposto disso. Você não sabe por antecedência os passos que o cavalheiro vai fazer. E se ficar tentando adivinhar, aí sim que não vai mesmo! Sei bem disso.. Para dar certo, é preciso conexão, confiança e, acima de tudo, entrega. No zouk, que ainda permite uma grande liberdade de movimentos e variações, tudo isso precisa ser muito mais forte.
Para mim, o zouk representou mais do que uma quebra de paradigmas. Hoje percebo que era minha alma aprisionada que queria se libertar. Aprendi os passos básicos do zouk, mas foi só quando parei de me preocupar em executar os movimentos com perfeição que, de fato, a dança começou a fluir. Afinal, dançar é muito mais do que uma série de movimentos do corpo, é a expressão da alma. E para isso não pode haver barreiras, é preciso estar livre.
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Foto tirada no baile do congresso Zouk in Rio 2015.