A vida nos dá o que a gente precisa, não o que a gente quer

Quem me disse isso foi a Clarissa, minha colega na TV. O assunto começou nas nossas mães, dizíamos que elas fazem coisas diferentes das que a gente gostaria que elas fizessem. Aí a Clarissa me disse: “as mães sabem do que os filhos precisam”. Daí pra constatação filosófica do título foi um pulo! Rsrs..
Fiquei pensando nisso.. Será??? Estamos sempre querendo alguma coisa. Coisas acontecem com a gente o tempo todo. E nem sempre o que acontece com a gente é o que a gente quer. Como lidamos com isso em geral? Ficamos tristes, desapontados, pensando naquilo que gostaríamos de ter… E muitas vezes não valorizamos as coisas que temos, por menores que sejam ou pareçam ser.
E se fizéssemos diferente? Coisas novas, como o próprio nome diz, são novas! Diferente daquilo que temos. Pode não ser o que gostaríamos ou imaginávamos. Mas talvez seja exatamente o que precisamos naquele momento.

Pessoas e tragédias

Acordei hoje com a notícia de um prédio que havia implodido no centro de São Paulo. Como jornalista, a primeira coisa que pensei foi: se eu estivesse trabalhando em outra emissora, muito provavelmente estaria lá acompanhando de perto o trabalho dos bombeiros. Mas estou trabalhando com TV, fazendo o que amo e com o luxo de poder desfrutar de um feriado. Ok, vou parar por aqui porque já está virando post ostentação e não é esta minha intenção.

Fato é que, enquanto acompanhava a cobertura sobre a implosão do histórico prédio do centro da capital paulista, com enorme repercussão, comecei a pensar sobre o porquê de tanto destaque a uma notícia assim. Por favor, não me entendam mal, compreendo a relevância e o impacto de um evento assim, desde a dor das famílias que ficaram desabrigadas, a angústia em relação aos desaparecidos, os impactos sobre o trânsito do entorno e por aí vai… Mas neste momento, não consigo não pensar na questão jornalismo versus sensacionalismo, que ainda custo a entender.

Lembrei de várias tragédias que acompanhei como repórter, incluindo a explosão do avião da Tam em 2007, e muitos, muitos incêndios. Parece um tanto mórbido, mas os incêndios, de certa forma, fazem a ‘alegria’ das redações jornalísticas. “É só ter incêndio que as pessoas param na frente da TV” me disseram uma vez. E é verdade. Tão verdade que, hoje, em São Paulo, o programa de um ícone da TV brasileira não foi transmitido em função da cobertura especial sobre o o incêndio.

Como jornalista, entendo a relevância do fato. Como empresa, entendo a ‘briga’ por audiência. Como ser humano, no entanto, não consigo entender essa fixação por tragédias. A muito custo, contrariando a essência de jornalista, de querer acompanhar cada detalhe e saber exatamente o que está acontecendo no olho do furacão, desliguei a TV.

Pensei em uma missionária que minha amiga conheceu no aeroporto que estava indo para Uganda levar mantimentos aos refugiados. Pensei na minha professora de dança que, de tempos em tempos, passa a tarde num asilo, leva artigos de higiene e, principalmente, amor aos velhinhos. Pensei na babá do meu gato que participa todos os meses de uma campanha de castração. Fiquei com vontade de contar essas histórias. Talvez não dê tanto ibope, mas acredito que esta é uma forma de inspirar outras pessoas e plantar a sementinha do bem.  Se é a fé que alimenta nossa alma, acho que é de boas histórias que precisamos para nos alimentar.

Falando em boas histórias, lembrei desta matéria que fiz para o SBT-RS sobre o trabalho dos Socorristas Voluntários nas estradas. Para assistir, é só clicar no play: