Fazer o que se gosta também é fazer o que precisa ser feito.

Todos os dias, desde pequenos, precisamos fazer coisas que não gostamos. Lembra quando você estava brincando e sua mãe mandava você tomar banho? Ela estava na verdade ensinando uma dura realidade da vida: muitas vezes vamos ter que fazer coisas que não gostamos ou não queremos fazer e em momentos em que gostaríamos de estar fazendo outra coisa. Fazer o quê? Faz parte!

O tempo passa e parece que nos acostumando mais com a ideia. Já tomamos banho por conta própria (ufa!) e, pasmem: até saímos da cama quando toca o despertador! Mesmo que seja depois de acionar o ‘soneca’ umas quantas vezes… Falando nisso, leia também o texto Descubra se vale a pena apertar o botão soneca , já postado aqui no blog.

E por que fazemos todas essas coisas? Porque queremos? Até pode ser, mas, acima de tudo, porque sabemos que é necessário.

O que muitas vezes não percebemos é a importância de fazermos também as coisas que gostamos de fazer. Estamos acostumados a fazer sempre o dever primeiro, ok, não há o que contestar aqui. O problema é que, com a quantidade cada vez maior de obrigações, consequentemente o lazer vai tendo cada vez menos espaço em nossas vidas.

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Sempre que posso saio para dançar!

Pode ser que seja difícil dormir até tarde ou curtir um parque numa tarde ensolarada sempre que der vontade. Mas se essas coisas nos fazem bem, devemos fazê-las sempre que surgir uma oportunidade. E aproveitar cada momento.

Esse tal de zouk

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por dança. Fiz 15 anos de ballet clássico, experimentei sapateado, flamenco, ballet contemporâneo e até uma aula de dança do ventre já frequentei. O tempo passou, vieram as obrigações da ‘vida adulta’ e ficou difícil seguir a rotina puxada do ballet clássico.
A paixão pela dança, no entanto, continuou. Sair para dançar na balada com as amigas não era suficiente e passei a buscar outras modalidades. Nesta busca, fui apresentada ao mundo da dança de salão. Aprendi o básico de bolero, samba de gafieira e salsa. Mas o que tocava minha alma a ponto de querer me entregar completamente ao ouvir a primeira batida da música era um ritmo que ainda nem conhecia: esse tal de ‘zouk’.
Das modalidades  da dança de salão, foi o último que tive contato. Já tinha visto meus professores dançando, achava lindo! E tão difícil… Acostumada com o rigor do ballet, não conseguia entender os movimentos fluidos e livres do zouk. E assim ficou durante um bom tempo, até que não aguentei ficar só na paixão  platônica e decidi começar a fazer aulas de zouk.
Como tudo que é novo, no começo foi bem difícil. Como bailarina, sempre subi no palco sabendo exatamente a coreografia que iria fazer. A dança de salão, no entanto, é o oposto disso. Você não sabe por antecedência os passos que o cavalheiro vai fazer. E se ficar tentando adivinhar, aí sim que não vai mesmo! Sei bem disso.. Para dar certo, é preciso conexão, confiança e, acima de tudo, entrega. No zouk, que ainda permite uma grande liberdade de movimentos e variações, tudo isso precisa ser muito mais forte.
Para mim, o zouk representou mais do que uma quebra de paradigmas. Hoje percebo que era minha alma aprisionada que queria se libertar. Aprendi os passos básicos do zouk, mas foi só quando parei de me preocupar em executar os movimentos com perfeição que, de fato, a dança começou a fluir. Afinal, dançar é muito mais do que uma série de movimentos do corpo, é a expressão da alma. E para isso não pode haver barreiras, é preciso estar livre.
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Foto tirada no baile do congresso Zouk in Rio 2015.