Pessoas e tragédias

Acordei hoje com a notícia de um prédio que havia implodido no centro de São Paulo. Como jornalista, a primeira coisa que pensei foi: se eu estivesse trabalhando em outra emissora, muito provavelmente estaria lá acompanhando de perto o trabalho dos bombeiros. Mas estou trabalhando com TV, fazendo o que amo e com o luxo de poder desfrutar de um feriado. Ok, vou parar por aqui porque já está virando post ostentação e não é esta minha intenção.

Fato é que, enquanto acompanhava a cobertura sobre a implosão do histórico prédio do centro da capital paulista, com enorme repercussão, comecei a pensar sobre o porquê de tanto destaque a uma notícia assim. Por favor, não me entendam mal, compreendo a relevância e o impacto de um evento assim, desde a dor das famílias que ficaram desabrigadas, a angústia em relação aos desaparecidos, os impactos sobre o trânsito do entorno e por aí vai… Mas neste momento, não consigo não pensar na questão jornalismo versus sensacionalismo, que ainda custo a entender.

Lembrei de várias tragédias que acompanhei como repórter, incluindo a explosão do avião da Tam em 2007, e muitos, muitos incêndios. Parece um tanto mórbido, mas os incêndios, de certa forma, fazem a ‘alegria’ das redações jornalísticas. “É só ter incêndio que as pessoas param na frente da TV” me disseram uma vez. E é verdade. Tão verdade que, hoje, em São Paulo, o programa de um ícone da TV brasileira não foi transmitido em função da cobertura especial sobre o o incêndio.

Como jornalista, entendo a relevância do fato. Como empresa, entendo a ‘briga’ por audiência. Como ser humano, no entanto, não consigo entender essa fixação por tragédias. A muito custo, contrariando a essência de jornalista, de querer acompanhar cada detalhe e saber exatamente o que está acontecendo no olho do furacão, desliguei a TV.

Pensei em uma missionária que minha amiga conheceu no aeroporto que estava indo para Uganda levar mantimentos aos refugiados. Pensei na minha professora de dança que, de tempos em tempos, passa a tarde num asilo, leva artigos de higiene e, principalmente, amor aos velhinhos. Pensei na babá do meu gato que participa todos os meses de uma campanha de castração. Fiquei com vontade de contar essas histórias. Talvez não dê tanto ibope, mas acredito que esta é uma forma de inspirar outras pessoas e plantar a sementinha do bem.  Se é a fé que alimenta nossa alma, acho que é de boas histórias que precisamos para nos alimentar.

Falando em boas histórias, lembrei desta matéria que fiz para o SBT-RS sobre o trabalho dos Socorristas Voluntários nas estradas. Para assistir, é só clicar no play:

Esse tal de zouk

Quem me conhece sabe que sou apaixonada por dança. Fiz 15 anos de ballet clássico, experimentei sapateado, flamenco, ballet contemporâneo e até uma aula de dança do ventre já frequentei. O tempo passou, vieram as obrigações da ‘vida adulta’ e ficou difícil seguir a rotina puxada do ballet clássico.
A paixão pela dança, no entanto, continuou. Sair para dançar na balada com as amigas não era suficiente e passei a buscar outras modalidades. Nesta busca, fui apresentada ao mundo da dança de salão. Aprendi o básico de bolero, samba de gafieira e salsa. Mas o que tocava minha alma a ponto de querer me entregar completamente ao ouvir a primeira batida da música era um ritmo que ainda nem conhecia: esse tal de ‘zouk’.
Das modalidades  da dança de salão, foi o último que tive contato. Já tinha visto meus professores dançando, achava lindo! E tão difícil… Acostumada com o rigor do ballet, não conseguia entender os movimentos fluidos e livres do zouk. E assim ficou durante um bom tempo, até que não aguentei ficar só na paixão  platônica e decidi começar a fazer aulas de zouk.
Como tudo que é novo, no começo foi bem difícil. Como bailarina, sempre subi no palco sabendo exatamente a coreografia que iria fazer. A dança de salão, no entanto, é o oposto disso. Você não sabe por antecedência os passos que o cavalheiro vai fazer. E se ficar tentando adivinhar, aí sim que não vai mesmo! Sei bem disso.. Para dar certo, é preciso conexão, confiança e, acima de tudo, entrega. No zouk, que ainda permite uma grande liberdade de movimentos e variações, tudo isso precisa ser muito mais forte.
Para mim, o zouk representou mais do que uma quebra de paradigmas. Hoje percebo que era minha alma aprisionada que queria se libertar. Aprendi os passos básicos do zouk, mas foi só quando parei de me preocupar em executar os movimentos com perfeição que, de fato, a dança começou a fluir. Afinal, dançar é muito mais do que uma série de movimentos do corpo, é a expressão da alma. E para isso não pode haver barreiras, é preciso estar livre.
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Foto tirada no baile do congresso Zouk in Rio 2015.