Voltei a acreditar no amor quando conheci uma história de amor

Confesso que andava desacreditada no amor. Sempre sonhei com belas histórias, onde duas pessoas se conhecem, se gostam e decidem ficar juntas. E, juntas, se apoiam, enfrentam desafios e se tornam mais fortes. Como duas laranjas que fazem juntas um suco maravilhoso e não duas metades – escrevi um texto sobre isso. Duas pessoas que se tornam melhores quando estão juntas. Um amor que ‘Simplesmente Acontece’, como diz o título do filme.

De uns tempos pra cá, porém, passei a duvidar da existência desse tipo de amor. Já ouvi de muitos homens que ‘não estavam planejando um relacionamento’. Já ouvi de homens com os quais me relacionei e também de amigos. Cheguei a escutar inclusive que alguns não saíam mais de três vezes com a mesma menina para não se envolver e também não criar falsas expectativas. E o amor, que devia ‘simplesmente acontecer’, simplesmente não acontece…

Essas experiências me fizeram refletir sobre a existência do amor. Amor é emoção. No momento em que não nos deixamos levar pelos nossos sentimentos, o amor deixa de existir. Escolher o ‘momento certo’ para se relacionar é racionalizar o amor. E se é razão, não é amor. Ao menos não o amor dos contos de fadas e filmes românticos que costumamos ver.

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Em Natal, quando você vai fazer um passeio de buggy, perguntam: com emoção ou sem emoção?

Passei a acreditar então num outro tipo de amor: um amor planejado, uma etapa das obrigações sociais a ser alcançada em determinado momento da vida. Mais do que sentimento, uma função social que, como o próprio nome diz, todos exercemos na sociedade. Ir à escola, faculdade, arranjar um trabalho, se estabilizar economicamente, casar e ter filhos.  Nesta ordem.

Apesar de todas as quebras de paradigmas que estamos vivenciando, este ainda parece ser o roteiro de boa parte das pessoas, de forma consciente ou não. De acordo com este script, o amor vem depois da estabilidade econômica e profissional. Mas o que acontece se a ‘pessoa certa’ aparecer na hora errada? Ou será que não existe então ‘pessoa certa’ mas sim ‘hora certa’? Para quem sonha em viver um amor romântico, pensar que tudo não passa de um cronograma é desanimador.

E então, tudo mudou quando conheci a história da Lu e do Gabriel*. A Lu estava noiva, de casamento marcado, convites distribuídos e, duas semanas antes da cerimônia, conheceu o Gabriel numa aula de dança. Disse que sentiu uma coisa tão forte que decidiu cancelar o casamento. Após quatro anos, Lu e Gabriel continuam juntos, casaram e tem uma filha. Ah, seguem dançando também.

Com certeza Lu e Gabriel não se conheceram na ‘hora certa’, mas quando vemos o brilho nos olhos dos dois quando estão juntos, dá pra ver que definitivamente são ‘a pessoa certa’ um para o outro.  Acho que muita gente ainda segue a linha do ‘amor planejado’,  mas é reconfortante ouvir histórias de pessoas que arriscaram se deixar levar pela emoção. É preciso muita coragem para se entregar a um sentimento, para ficar vulnerável e mais: sem garantias de que vai dar certo.

Dizem que os investimentos mais lucrativos são aqueles que envolvem os maiores riscos. Fazendo uma comparação com o amor, acredito que seja algo parecido. Existem investidores conservadores que ficam satisfeitos com os rendimentos garantidos, ainda que modestos. Mas tem aqueles que querem mais e não se acanham em apostar alto, mesmo com todos os riscos envolvidos. E sabe por que fazem isso? Porque sabem que vale a pena. Com emoção ou sem emoção? Com emoção! Sempre.

*os nomes foram alterados, mas a história é real 🙂

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